Porque te amo, NÃO nascerás! (2009)
Este é um livro escrito a quatro mãos, uma novela filosófica que aborda o delicado tema da moralidade da procriação, mas adotando desde o início o ponto de vista daquele que vai nascer. Escrito em diversos estilos, desde o ensaio até a literatura epistolar, tenta apresentar a abstenção de procriar como um ato de amor radical. O livro contém numerosas ilustrações.
Diário de um Filósofo no Brasil (2010)
Este Diário é um sucinto relatório de uma obra filosófica pessoal e, ao mesmo tempo, um testemunho histórico e político da maneira como os filósofos tiveram de fazer suas filosofias na mudança do milênio na parte sul-americana do planeta, e num país onde se assumir como filósofo foi considerado uma pretensão arrogante.
De Hitchcock a Greenaway - pela História da Filosofia (2007)
Este livro continua as pesquisas iniciadas em Cine:100 años de Filosofía, apresentando uma série de novos exercícios cine-filosóficos, desde a poética não aristotélica de Hitchcock até a lógica não wittgensteineana de Peter Greenaway. No prefácio há uma retomada crítica da teoria dos conceitos-imagem apresentada no primeiro livro.
Análisis y Existencia - Pensamiento en travesía (2010)
Es una antología de artículos escritos entre 1984 y 2004, que reflejan un tipo de pensamiento oscilante entre métodos lógico-analíticos y existenciales de filosofar. Los textos transmiten un tipo de perspectiva latinoamericana desencantada y transversal, en donde las diferencias europeas de abordajes y de asuntos son contempladas desde afuera y mezcladas de maneras irreverentes.
Inferências Lexicais e Interpretação de Redes de Predicados (2007)
Este livro, escrito em colaboração com o físico Olavo L. Da S. filho tenta fornecer um tratamento semi-formal das inferências lexicais que fazemos constantemente tanto na vida cotidiana quanto na ciência e na filosofia. O tema já tinha sido apresentado em meu livro A Lógica Condenada (1987), muitos anos antes da formulação do inferencialismo de Brandon. A obra apresenta lógicas lexicais da duração, da quantidade, da comparação e do espaço.
Cine: 100 años de Filosofia (2015)
Publicada em 1999 e reeditada em 2015, corrigida, ampliada e ilustrada, desenvolve a ideia de que o cinema pode construir conceitos de relevância filosófica. A teoria é aplicada em 14 exercícios: Bacon e Spielberg, Descartes e Hitchcock, Hegel e Wim Wenders, Heidegger e Antonioni, Wittgenstein e o cinema mudo e muitos mais. A primeira edição - hoje superada pela versão de 2015 - foi traduzida para o português como O Cinema Pensa.
Critica de La Moral Afirmativa (2014)
Trabalho pioneiro do atual movimento antinatalista, publicado em 1996, republicado em 2014, corrigido e ampliado, aborda o valor e desvalor da vida humana, a procriação, o suicídio e a possibilidade de uma ética negativa. Contém discussões com Habermas, Hare, Tugendhat e Benatar.
Ética Negativa: Problemas e Discussões (2008)
Coletânea de textos de (na época) estudantes de filosofia de Brasília sobre diversos aspectos da ética negativa, com respostas de Julio Cabrera a cada um deles. Uma rara oportunidade de diálogo igualitário – até onde isto for possível – entre um velho professor e jovens filósofos, numa época em que a ética negativa não tinha ainda a projeção internacional que tem hoje.
O Cinema Pensa (2006)
Tradução brasileira de 2006 de meu livro Cine: 100 años de Filosofía, de 1999. Este é o livro onde se apresenta pela primeira vez a teoria dos conceitos-imagem e da logopatia, com 14 exercícios cine-filosóficos. O livro ficou ultrapassado após a publicação da segunda edição espanhola do livro original em 2015, onde se apresenta uma reformulação da teoria e novos exercícios com filmes mais recentes, material desconhecido pelo público brasileiro.
A Ética e suas Negações (2011)
Esta é a segunda edição do Projeto de Ética Negativa de 1989, o primeiro texto a colocar o caráter eticamente problemático da procriação. Obra escrita em aforismos, ela aponta para uma crítica das éticas europeias afirmativas, procurando formular uma ética negativa e deslocando as perguntas “Como devo viver?” e “como ser bom pai?” para as mais radicais: “Devo viver?”, “Devo ser pai?”.
Da Aristotele a Spielberg. Capire la filosofia attraverso i film (2000)
Esta é a tradução italiana de 2000 pela Mondadori de meu livro Cine: 100 años de Filosofia, publicado no ano anterior em Barcelona. É uma versão fidedigna, com o acréscimo de numerosas notas explicativas e críticas.
El lógico y la bestia logodrama en 6 etapas : diversión para filósofos (1995)
Éste es un libro fundamental en la obra filosófica de Julio Cabrera. Es la dramatización de una idea sobre la naturaleza misma de la filosofía: un monstruo crepuscular vestido con las ropas diurnas de la razón pura. La novela es del género patético y cuenta la terrible historia del profesor Joseph Kabra, especialista en Lógica Formal, asediado por el siniestro señor Hydeggerstein. El final no es recomendable para espíritus filosóficos sensibles.
Diálogo|Cinema (2013) - com Marcia Tiburi
Rara oportunidade de interagir com uma filósofa brasileira. Especificamente com uma filósofa do cinema. Embora eu seja explicitamente autor de dois livros sobre Cinema e Filosofia, Márcia Tiburi tem também dois livros sobre Cinema, só que “embutidos” em outros livros dela. Tentei interagir com esses livros ocultos da Márcia. Vale a pena tentar não sair deste livro antes dele acabar.
Margens das Filosofias da Linguagem (2003)
Neste livro de Julio Cabrera (aparecido em 2003 e reeditado em 2009), a filosofia da linguagem é apresentada numa maneira plural, em relação com filosofias analíticas, hermenêuticas, fenomenológicas, dialéticas e psicanalíticas. O pensamento de Wittgenstein sobre a linguagem é mostrado como ponto de junção destas múltiplas perspectivas, analíticas e continentais. O livro também abre uma discussão sobre maneiras de fazer filosofia e apresenta uma defesa do pluralismo em filosofia.
Mal-estar e Moralidade (2018)
Soma do pensamento ético de Julio Cabrera, abordando o valor e desvalor da vida humana, o impacto da morte na ética, o impedimento moral, a desconstrução do “mal” e a moralidade da procriação, além de temas correlatos: religião, educação, fenomenologia da criança, sexualidade e aborto.
Discomfort and Moral Impediment (2019)
Este livro publicado na Inglaterra em 2019 contém o núcleo dos temas tratados em “Mal-estar e Moralidade”, mas foca fundamentalmente as relações entre o desconforto da situação humana – dor e desânimo - e as exigências éticas de não manipular e não prejudicar, contendo uma detalhada argumentação sobre moralidade da procriação, aborto e suicídio.
Introduction to a Negative Approach to Argumentation (2019)
Este livro expõe uma concepção da argumentação filosófica de natureza gestáltica e perspectivista, segundo a qual argumentações diametralmente opostas podem ambas ser válidas, opondo-se ao dogmatismo e ao ceticismo. Apresenta numerosos exemplos de controvérsias filosóficas reais e propõe uma nova atitude ética diante da diferença de perspectivas.
A Moral do Começo (2019)
Troca de correspondência filosófica entre Hilan Bensusan e Julio Cabrera acerca do tema da moralidade ou imoralidade de ter filhos e as éticas negativas. O livro inclui textos de Ana Miriam Wuensch sobre o nascimento em Hannah Arendt e um epílogo de Ondina Pena sobre natalidade, antropologia e bioética.
terça-feira, 4 de abril de 2023
El Norteamericano Feo, Sucio y Malvado
quinta-feira, 30 de março de 2023
Toda la Nada al Mismo Tiempo
segunda-feira, 6 de março de 2023
Últimos Capítulos del Libro-Imagen (resúmenes: capítulos-imágenes 9 y 10)
Mi auto-biblio-filmografía
Libros y filmes que me hicieron ser lo que soy
Pero aunque repleto de referencias literarias y cinematográficas, es siempre la filosofía lo que interesa. El capítulo se divide en tres sectores: filosofía en la literatura, filosofía en el cine y, por fin, filosofía en su lugar más improbable: la propia filosofía.
Trato de explicar de qué manera la filosofía profesional agotó sus posibilidades para mí, y de cómo la literatura y el cine me golpean hoy de una manera que, ya muy raramente, conseguiría hacerlo un libro de filosofía.
Cada vez más me parece que el pensamiento se mudó para otros sectores de la cultura, una vez que la filosofía se tornó esa actividad burocrática y rutinera de las universidades.
Mi absurda aventura brasileña
En Brasil, la comunidad filosófica piensa que filosofar es una consecuencia de una larga preparación, que sin “conocimientos” no se puede filosofar. Lo que permite pasar toda la vida adquiriendo esos conocimientos en un interminable proceso de “formación”.
Por el contrario, yo pensaba - devorando una frase de Hegel por la mitad - que la filosofía nace simplemente cuando una persona se pone a filosofar. Si la filosofía es un respirar vital, es imposible prepararse para filosofar.
La falta de una genuina comunidad de filósofos, que leyesen y criticasen mis textos, me impidió proyectar mi pensamiento desde Brasil hacia el mundo. Los reconocimientos vinieron de fuera, del mundo hispánico y, más recientemente, del mundo algo-sajón.
En este capítulo cuento, en un vuelo narcisista, algunas reverberaciones de mi pensamiento por el mundo. De cómo fui leído y valorizado como nunca lo fui en este país tan querido para mí. Brasil, con su pueblo maravilloso, su arte y sus ciencias sociales, pero sin autoralidad filosófica, incapaz de crear conceptos sin haberlos leído previamente.
Al final, declaro que no quiero ser considerado un filósofo brasileño por la actual situación institucional. Pero sí querría ser un pensador brasileño de otro Brasil filosófico, de una genuina comunidad de filósofos que las nuevas generaciones tendrán aún que construir.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
FESTIVAL JEAN-PAUL BELMONDO - curadoria de Julio Cabrera
Ele surgiu nos mesmos anos que Alain Delon, final da década de 50 e inícios dos anos 60, e era muito mais talentoso. Além do mais, era muito feio. Como vivemos num mundo vulgar (Schopenhauer dixit), Delon foi sempre o mais famoso dos dois.(1). A double tour (Quem matou Leda?”) (Claude Chabrol, 1959). Sensacional estreia de Belmondo (ele tinha feito algumas coisinhas antes, sem importância), na melhor interpretação do filme, num papel secundário.(2). À bout de souffle (“Acossado”) (Jean-Luc Godard, 1959). Filme ícone da “nouvelle vague”.(3). Moderato Cantábile (“Duas almas em suplício”) (Peter Brook, 1960). Filme intimista e lento, antonionesco, com texto de Marguerite Duras e o diretor de “O senhor das moscas” e “Marat/Sade”.(4). La Ciociara (“Duas mulheres”) (Vittorio De Sica, 1960). Papel secundário, no filme que deu o Oscar a Sofia Loren.(5). La Viaccia (“Caminho amargo”) (Mauro Bolognini, 1961). Extraordinário filme realista, sobre ambição e poder, com Pietro Germi (um grande diretor, além de ator) e Claudia Cardinale.(6). Leon Morin, prêtre (“Leon Morin, o padre”) (Jean-Pierre Melville, 1961). Aquí Belmondo mostra que podía fazer papéis distantes de bandidos e marginais.(7) L’ainé des Ferchaux (“Um homem de confiança”) (Jean-Pierre Melville, 1963). Extraordinário filme noir baseado em romance de Georges Simenon, contracenando com o grande Charles Vanel.(8). L’homme de Rio (“O homem do Rio”) (Philippe De Broca, 1964). Aventura intranscendente, muito bem filmada, especialmente interessante para brasileiros, com cenas no Rio e em Brasília a pouco de ser construída.(9). Weekend à Zuydcoote (“Gloriosa retirada”) (Henri Verneuil, 1964). Tenso filme baseado no best-seller de Robert Merle, sobre um soldado francês ilhado em Dunkerque durante a segunda guerra mundial.(10) Pierrot le fou (“O demônio das onze horas”) (Jean-Luc Godard, 1965). Filme experimental e inovador, com Belmondo totalmente inserido no universo godariano.(11) Le voleur (“O ladrão aventureiro”) (Louis Malle, 1967). O gélido olhar de Malle sobre a sociedade francesa de começos do século XX, sobre um jovem que inicia uma vida de roubos a partir de uma vingança familiar.(12). La sirènne du Mississippi (“A sereia do Mississippi”) (François Truffaut, 1969). Um thriller hitchcockiano baseado em conto de William Irish (ou Cornell Woolrich), o mesmo de “A janela indiscreta”. Filme detestado por Quentin Tarantino.(13) Un homme qui me plait (“O homem que eu amo”) (Claude Lelouch, 1969). Filme romântico com Annie Girardot, do mesmo diretor de “Um homem e uma mulher”, com um dos melhores finais de todos os tempos.(14) Stavisky (Alain Resnais, 1974). Filme menor do grande diretor de “Hiroshima mon amour”, sobre a vida de famoso fraudador, com soberba atuação do veterano Charles Boyer como o Barão Raoul.
sábado, 18 de fevereiro de 2023
Libro-Imagen (resúmenes: capítulos-imágenes 7 y 8)
CAPÍTULO-IMAGEN 7
Hablo de cuestiones biográficas a partir de una primordial falta de ganas de hacer cualquiera de las cosas que llenan las vidas de los humanos: vivir intensamente, trabajar, formar familia, ganar dinero.
La vida, simplemente, no me interesaba, pero sí me atraía la posibilidad de pensarla, de escribirla, tal vez de filmarla. Vida observada de afuera, nunca vivida.
Hablo aquí de mi intuición filosófica fundamental: que el mundo tiene una estructura que nos acosa y nos obliga a huir en direcciones diversas. Una de esas direcciones es la filosofía. La forma del mundo provoca la multiplicidad de filosofías, y los conflictos permanentes entre ellas.
Hay un hilo conductor meta-filosófico que atraviesa todo lo que hice dentro de esa experiencia fundamental, en lógica, en ética, en cine, en pensamiento emancipador.
El capítulo incluye cuatro testimonios de alumnos y colegas que estuvieron cerca de mis actividades filosóficas y que las comentan desde perspectivas diversas: Vinicius Saldanha (Estética), Fábio Salgado (Lógica), Gabriel Silveira (Ética) e Hilan Bensusan (Metafilosofía).
Acerca de mi novela “El Lógico y el Monstruo”:
Cuando adolescente, pasaba horas escribiendo mis propios relatos, mis piezas de teatro y mis cuentos. Estos fueron mis primeros pasos en ese borde - más conjeturado que percibido - entre filosofía y literatura.
“El Lógico y el Monstruo” es una novela que sobrevivió al tiempo (toda mi literatura juvenil fue destruida). Es una novela de terror conceptual – inevitablemente basada en “Dr. Jekill and Mr. Hyde” de Stevenson - muy especial en mi itinerario.
La novela escenifica la propia monstruosidad del discurso filosófico, en la figura de un profesor de lógica que se metamorfosea en un horrible metafísico. Hydeggerstein, el díscolo ex alumno, fue la personificación de esa confluencia perversa.
Es también, como lo descubrió despiadadamente el gran poeta cordobés Daniel Vera, la primera novela alucinada en portuñol, en la confluencia – no menos monstruosa – del español y el portugués. Novela intencionalmente mal escrita, intraducible a cualquiera de esas dos lenguas.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
Um filme esteticamente maravilhoso sobre o mais horroroso dos crimes. [“Im Westen nichts neues” (“Nada de novo no front”) de Edward Berger]
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Libro-Imagen (resúmenes: capítulos-imágenes 5 y 6)
Cine: 100 años de Filosofía (El cine piensa): De la Logopatía a los conceptos-imagen.
Descripción:
Cine, literatura y fotografía son tres mecanismos predicativos mediante los cuales se dicen cosas sobre el mundo ocultando otras, como Wittgenstein dice que ocurre con las proposiciones articuladas. Son tres mecanismos poderosamente selectivos.
El cine está más cerca de la abstracción literaria que de la aparente concreción de la fotografía.
Muestro aquí de qué forma las imágenes del cine generan conceptos a través de impactos emocionales (logopáticos), impactos que pueden ser violentos o tranquilos, silenciosos o ruidosos.
Mis lectores no han sido capaces de ver mis estudios cine-filosóficos como parte de mi filosofía del lenguaje y de mi meta-filosofía. En este capítulo trato de que esos estudios se conecten con la tierra – nada firme - de mi pensamiento. Pues si yo no fuera filósofo, el cine, ciertamente, no me interesaría.
Pensando desde “América Latina”: Seis artículos para la emancipación de la filosofía.
No con los pobres de comida, sino con los pobres de saber, víctimas de la escasez de conocimientos aptos para la emancipación intelectual.
Insisto mucho en que ya existe un pensar oriundo de nuestra situación de invadidos. Pero es pensamiento que tiene que ser desenterrado mediante un genuino trabajo de excavación. No es algo futuro que aún tendría que surgir. Es pensamiento insurgente, impedido de surgir, que sólo puede insurgir, o surgir contra todo lo que se le opone.
Los escritos sobre qué significa pensar desde nuestra circunstancia son inevitablemente meta-filosóficos. Pues somos obligados a preguntarnos sobre cuál es la filosofía que somos obligados a ejercer, y sobre cuál sería la huella hacia un pensamiento circunstanciado. No postizamente encajado en una estructura curricular extraña que se tornó tan familiar.
Si queremos que la filosofía nos libere, antes tenemos que liberar a la propia filosofía.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
O único filme artístico de um diretor comercial
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
NÃO BASTA SER O MELHOR (O caso Walter Brennan)
Claro, todo mundo conhece Daniel Day-Lewis porque é recente; já se sabe que as pessoas não estão interessadas em explorar a rica história do cinema.
Walter Brennan começou a trabalhar no cinema mudo, no qual fez em torno de 25 filmes. Entre 1929 e 1936 apareceu em torno de 100 filmes, em muitos dos quais seu nome não figura nos créditos. O diretor Howard Hawks (1896-1977) – que depois o dirigiria em vários filmes importantes – lhe deu um pequeno papel no então escandaloso filme “Barbary Coast” (1935). Foi como um anúncio: logo em seguida, Brennan ganharia seu primeiro Oscar de ator coadjuvante, por “Come and get it” (1936), codirigido por Hawks e William Wyler. (Em português: “Meu filho é meu rival”). Esta foi também a primeira vez que esse prêmio começou a ser entregue; a categoria de “melhor ator coadjuvante” foi inaugurada por Brennan. Dois anos depois, ele ganhou novamente pelo seu papel de Peter Goodwin em “Kentucky” (David Butler, 1938. “Romance do sul”), e dois anos depois, outro por “The westerner” (William Wyler, 1940. Em português: “A última fronteira”), personificando o mítico “juiz” Roy Bean, junto a Gary Cooper, com quem atuou em vários filmes dessa época.
Depois de ganhar seu primeiro Oscar, Brennan fez um dos seus poucos papéis protagonistas no filme “Affairs of Cappy Ricks” (Ralph Staub, 1937), uma comédia disparatada; depois disso, Brennan foi dirigido por grandes diretores em filmes expressivos, mas quase sempre de coadjuvante. “Sargento York” (Howard Hawks, 1941), pelo qual recebeu sua quarta indicação ao Oscar, mas não ganhou; “Meet John Doe” (Frank Capra, 1941. “Adorável vagabundo”); em seguida foi dirigido por dois grandes mestres europeus que estavam nesse momento fazendo cinema nos Estados Unidos: Jean Renoir, em “Swamp water” (1941. “O segredo do pântano”), e Fritz Lang em “Hangmen also die” (1943) (“Os carrascos também morrem”); em ambos os filmes ele tem um dos papéis centrais. (Ele tinha feito um pequeno papel em outro filme anterior de Lang, “Fury”, de 1936, com Spencer Tracy).
Outros filmes notáveis de Walter Brennan: “Stand by for action” (Robert Leonard, 1942), com Charles Laughton (com quem, infelizmente, contracena pouco), “To have or not to have” (Howard Hawks, 1944. “Uma Aventura na Martinica”), “My darling Clementine” (John Ford, 1946. “Paixão dos fortes”), “Red river” (John Ford, 1948. “Rio vermelho”), “Along the great divide” (Raoul Walsh, 1951. “Embrutecidos pela violência”), num papel central contracenando com Kirk Douglas; “Bad day at Black Rock” (John Sturges, 1955. “Conspiração de silêncio”), de novo com Spencer Tracy, e “Rio Bravo” (Howard Hawks, 1959. “Onde começa o inferno”). Já velho, com 75 anos, fez uma comédia de cowboy onde satiriza seus papéis anteriores: “Support your local sheriff” (Burt Kennedy, 1969. “Uma cidade contra o xerife”)
Mas apesar de seus 3 Oscar, e de ser um ator muito mais talentoso e versátil que todos seus colegas famosos (John Wayne, Dean Martin, Humphrey Bogart, Kirk Douglas, Joel McCrea, Gary Cooper, Henry Fonda), foram estes que viraram estrelas (mesmo sem ganhar nenhum prêmio, como Douglas, Martin e McCrea) enquanto Brennan jamais teve fama alguma, sendo rapidamente esquecido. Ele contracenou apenas com dois grandes atores, Spencer Tracy e Charles Laughton, mas supera ambos em sua capacidade de transformação interpretativa.
Brennan não tinha um rosto especialmente interessante, nem uma presença marcante; mas era isso precisamente o que lhe permitia transformar-se inteiramente de um filme a outro, fazendo de vagabundo, pistoleiro ou professor com a mesma competência. Ele mudava de idade com facilidade (aproveitando sua dentadura postiça), e mudava também a sua voz e seu modo de caminhar, como fazem os grandes atores, como Alec Guinness (algumas "grandes estrelas", como Henry Fonda, por exemplo, caminham da mesma maneira quando interpretam um presidente e um caminhoneiro). Mas nada disso alcançou para Brennan ser lembrado como um grande ator.
Tudo isto leva a uma reflexão filosófica: que os jovens artistas não esperem, ingenuamente, serem reconhecidos pelo seu talento. Talento não é suficiente. Vocês podem ser os melhores, mas outros entrarão na sua frente, levados por outros critérios que não o talento: presença, carisma, sensualidade, bilheteria, e imponderáveis sociais do gosto da época. Talento é apenas um elemento entre muitos para ter o reconhecimento maior, e não o decisivo. Já Schopenhauer apontava como mais um motivo para ser pessimista o fato de que, em todos os tempos, a arte vulgar predomina sobre a grande arte. Um mundo onde John Wayne é um ícone imortal e Walter Brennan não é ninguém, não pode ser um mundo bom.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2022
LA SEGUNDA EDICIÓN DEL LIBRO "CINE: 100 AÑOS DE FILOSOFÍA", DE 2015 - A SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO "CINE: 100 AÑOS DE FILOSOFÍA", DE 2015
Publiqué en 1999 en Barcelona el libro “Cine: 100 años de Filosofía” (Editorial Gedisa), que tuvo amplia repercusión en los países de habla hispánica. Este libro tuvo numerosas reediciones a lo largo del nuevo siglo, y fue traducido al italiano (“Da Aristotele a Spielberg”, 2000) y al portugués (“O cinema pensa”, 2006).
En 2015, fue publicada una segunda edición, corregida, aumentada e ilustrada, que presenta mi pensamiento cine-filosófico en su versión final. Sin embargo, en los muchos artículos y tesis en donde se cita mi libro, los autores continúan utilizando las primeras ediciones, anteriores a 2015, sin siquiera saber de la existencia de la segunda edición, a pesar de que el libro, en su última versión, está disponible en la tienda Amazon desde hace mucho tiempo.
Por ejemplo, en la tesis de 2019 “Estéticas de la locura en “Das Unheimliche” de S. Freud y “The shining” de S. Kubrik, de Sara García Fernández, aún se utiliza la versión de 1999 de mi libro. Y Ana Milo, en el texto “Julio Cabrera: 100 años de Filosofía”, posteado en Academia.edu, utiliza una reimpresión de mi libro de 2008. Estas ediciones anteriores quedaron totalmente superadas por la segunda edición de 2015, y deberían ser ignoradas de ahora en adelante.
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A SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO "CINE: 100 AÑOS DE FILOSOFÍA", DE 2015
Em 1999 publiquei em Barcelona o livro “Cinema: 100 anos de Filosofia” (Editora Gedisa), que teve ampla repercussão nos países de língua espanhola. Este livro teve inúmeras reedições ao longo do novo século, tendo sido traduzido para italiano (“Da Aristotele a Spielberg”, 2000) e português (“O cinema pensa”, 2006).
Em 2015, foi publicada uma segunda edição, corrigida, ampliada e ilustrada, apresentando meu pensamento filosófico cinematográfico em sua versão final. Porém, nos muitos artigos e teses onde o meu livro é citado, os autores continuam a utilizar as primeiras edições, anteriores a 2015, sem sequer saberem da existência da segunda edição, apesar de o livro, na sua versão mais recente, estar disponível na loja da Amazon há muito tempo.
Por exemplo, na tese de 2019 “A estética da loucura em “Das Unheimliche” de S. Freud e “O brilho” de S. Kubrick, de Sara García Fernández, ainda é usada a versão de 1999 do meu livro. E Ana Milo, no texto “Julio Cabrera: 100 anos de Filosofia”, postado no Academia.edu, usa uma reimpressão do meu livro de 2008. Essas edições anteriores foram completamente ultrapassadas pela segunda edição de 2015, e deveriam ser ignoradas a partir de agora.
terça-feira, 8 de novembro de 2022
A VOLTA DO HOMEM DELGADO (Seis filmes antigos ou a Sexalogia de Nick Charles)
Prezados,
Nick Charles não é sequer o detetive mais famoso de Hammett, cujo Sam Spade apareceu em vários de seus escritos (é o protagonista de seu romance mais famoso, “O falcão maltês” (1930), protagonizado por Humphrey Bogart no filme de John Huston de 1941). Mas Hammett não podia imaginar que este único romance com Nick Charles, sua esposa Nora e seu cachorro Asta inspirariam uma série de 6 filmes, feitos entre 1934 e 1947. Eles são:
(1) The thin man (1934) (Título em português: “A ceia dos acusados”)
(2) After the thin man (1936) (“A comédia dos acusados”)
(3) Another thin man (1939) (“O hotel dos acusados”)
(4) Shadow of the thin man (1941) (“A sombra dos acusados”)
(5) The thin man goes home (1945) (“O regresso daquele homem”)
(6) The song of the thin man (1947) (“A cancão dos acusados”).
Os 4 primeiros foram dirigidos por W.S. Van Dyke, que se suicidou em 1943 devido a uma grave doença. O primeiro filme é diretamente baseado no romance de Hammett, embora com várias mudanças não muito relevantes. Mas a maior deturpação do original já vem embutida no título. O “homem delgado” do romance de 1933 é Clyde Wynant, um inventor excêntrico extremamente delgado, que depois de ser assassinado, só passa a existir nas delgadas folhas de papel (cartas, cheques) que seu assassino envia a diversas pessoas, pretendendo que Wynant continua vivo. No capítulo 30, o penúltimo do livro, Hammet escreve: “Wynant’s not that thin, but he’s thin enough, say as thin as the paper in that check and in those letters people have been getting”. Mas curiosamente, nos films supõe-se que o homem delgado seja Nick Charles. (Este mesmo erro foi transferido para o seriado de curta duração (1957-1959), “As aventuras de Nick Charles”, com Peter Lawford como Nick e Phyllis Kirk como Nora, onde, na propaganda, sempre dizia: “Nick Charles, o homem delgado”).
Este primeiro filme teve tanto sucesso que os produtores decidiram fazer outros filmes com o mesmo casal de atores, o elegante William Powell como Nick Charles e a sofisticada Myrna Loy como Nora (e Asta como Asta, um cãozinho que certamente devia ser substituído de tempo em tempo por outros cachorros, dada a curta vida destes bichinhos). Van Dyke já havia dirigido a Powell e Myrna em “Manhattan melodrama” (1934) pouco antes do início da série. Os outros cinco filmes têm roteiros originais baseados nos personagens de Hammet, que sempre figura nos créditos, mas ele nunca participou do roteiro de nenhum desses filmes, nem mesmo do primeiro.
A vida de Dashiell Hammett foi atormentada e isso se reflete em sua literatura sombria e decepcionada. Abandonou para sempre a escola aos 14 anos, teve que trabalhar em todo tipo de empregos, braçais e de escritório, o mais importante sendo na agência de detetives Pinkerton, o que inspirou muitos dos casos de seus futuros romances e contos. Sofreu de tuberculose a vida toda e foi perseguido como comunista pelo senador MacCarthy, o que lhe custou 5 meses de cadeia. Chegou a ganhar vastas somas de dinheiro que gastava com a mesma velocidade com que o ganhava. Alcançou a fama, mas se considerava um escritor fracassado, porque queria fazer peças de teatro de conteúdo social e só conseguiu sucesso na literatura policial, na qual é considerado como um dos seus mestres.
O ator Jason Robarts ganhou oscar de coadjuvante por interpretar Dashiell Hammett no filme “Julia” (Fred Zinemann, 1977), que conta a amizade profunda e duradoura do escritor com Lillian Hellmann (interpretada por Jane Fonda no filme); parece que Lillian teria inspirado o personagem de Nora, a esposa de Nick Charles. Em 1982, o diretor alemão Wim Wenders, grande admirador do cinema americano, fez o filme “Hammett”, uma história fictícia onde o próprio escritor é o detetive.
Hammett morreu de tuberculose em 1961 aos 66 anos, e alcançou a ver o sucesso dos seis filmes baseados em seu personagem, mas esses filmes apresentam um Nick Charles bom vivant e esfuziante, longe do frio, lacônico e sempre alcoolizado personagem do livro original de 1933. Os filmes são, por momentos, muito frívolos (especialmente pela sobre atuação de Powell), e são típicos filmes de puro divertimento de Hollywood. Mas no meio da frivolidade, os seis filmes apresentam uma questão de bastante interesse filosófico que eu queria comentar nesta nota.
Curiosamente, o aspecto que quero apontar está acentuado pelas traduções portuguesas dos filmes, contendo o termo “acusados” e não “o homem delgado”. Todos os filmes terminam com Nick Charles reunindo todos os suspeitos (os acusados) numa sala e apontando para o assassino no final. Isso de imediato faz lembrar a estratégia de Hercule Poirot, detetive de Agatha Christie, que faz a mesma coisa nos romances em que ele aparece. Entretanto, há uma diferença fundamental. Quando Poirot reúne os suspeitos, ele já sabe quem é o culpado. Quando Nick Charles reúne os acusados, ele ainda não sabe quem é o assassino que a polícia deverá prender. Ele pretende descobrir isso durante a sessão, esperando que o próprio culpado cometa um erro ou diga alguma coisa que o denuncie.
Assim, enquanto o percorrido que Poirot faz mostrando que todos os suspeitos tinham um motivo para matar é puramente teatral e retórico, no caso de Nick Charles isso constitui um procedimento absolutamente necessário. Parece-me que aqui se perfilam duas concepções do que seja saber, conhecer ou descobrir alguma coisa, duas metodologias ou estratégias para atingir o conhecimento. Num caso, a solução já está antecipada a priori com toda certeza, enquanto no outro, a descoberta tem algo de dinâmico, inseguro, interativo e participativo. Aqui o detetive não ostenta um saber prévio à comunidade, mas ele se desenvolve dentro dela e com seu auxílio. Nick Charles conta com que o próprio assassino acabe se revelando, assim como o psicanalista espera que o próprio paciente chegue ao coração de seu trauma e se auxilie a si mesmo; ambos são apenas um instrumento intermediário.
À diferença de Poirot, cujas descobertas são egoístas e pessoais (ele sempre se gaba de que suas células cerebrais poderiam resolver um enigma sem sair de casa e sem ajuda de ninguém, se lhe fornecerem os elementos), Nick Charles é generoso e usa a sua mente socialmente, no meio da comunidade (e põe seu próprio corpo em risco). Enquanto o elegante Poirot resolve os casos quase matematicamente, o desastrado e alcoolizado Nick Charles resolve os casos de maneira fortemente intuitiva (mais perto do Maigret de Georges Simenon que de Poirot).
Como esta mensagem já está imensa, eu fico devendo comentários mais pormenorizados dos seis filmes da série. Se isso interessar ao grupo, me avisem.
Um abraço, Julio Cabrera.
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
FILMES EM PRETO E BRANCO (PELÍCULAS EN BLANCO Y NEGRO)
Tal como o concebo, o cinema não está preocupado em reproduzir o real, mas em recriá-lo ou mesmo em cria-lo. Se a realidade é colorida ou não é irrelevante para o cinema. A cor de um filme é, hoje em dia, uma criação artística, uma composição, e não pretende ser uma cópia do real (se alguma vez pretendeu sê-lo).
Já alguém me falou que não gosta de filmes em preto e branco porque não sabe de que cor são os carros que passam pela tela. Mas se a cor dos carros não é informada, isso significa que, para o diretor, esse dado é irrelevante para esse filme específico, pois o foco está em outras coisas.
Na história do cinema, acontece com a cor algo semelhante ao que aconteceu com o som; a composição cinematográfica se beneficia dos contrastes (possivelmente como tudo na vida). A cor e o som desempenham um papel artístico quando podem ser contrastados com o preto e branco e com o silêncio.
Se tudo for mudo (como no primeiro cinema) ou se tudo for preto e branco (como até a primeira metade dos anos 30), esse contraste não se produz. Mas quando chega a cor e o sonoro, também se perde o contraste, porque agora os filmes passam a ser (sobretudo a partir da década de 50) totalmente coloridos e falados até pelos cotovelos.
Muitas pessoas têm a ideia de que a cor é uma conquista recente do cinema, mas já existiam técnicas de coloração nos primórdios do cinema, entre 1906 e 1922. Só que, como acontece na história da filosofia e das ciências, nem sempre as técnicas disponíveis interessam aos valores estéticos, comerciais e políticos vigentes na sociedade daquele momento.
É só a partir dos anos 60 - uma década maravilhosa para o cinema - que os diretores possuem todos os elementos para trabalhar com os contrastes. E daí surgem os filmes mais interessantes, feitos por diretores que voltam ao preto e branco para dar-lhe um tratamento composicional que não podiam ter no cinema anterior. Por isso, na lista que apresento agora, apenas inclui filmes a partir do ano 1960 em diante.
FILMES NOTÁVEIS EM PRETO E BRANCO (feitos entre 1960 e 1990)
Psicose (Alfred Hitchcock, EU, 1960)
La dolce vita (Federico Fellini, Itália, 1960)
Acossado (Jean-Luc Godard, França, 1960)
Rocco e seus irmãos (Luchino Visconti, Itália, 1960)
A aventura (Michelangelo Antonioni, Itália, 1960)
O ano passado em Marienbad (Alain Resnais, França, 1961)
La mano en la trampa (Leopoldo Torre Nilsson, Argentina, 1961)
Viridiana (Luis Buñuel, Espanha, 1961)
A noite (Michelangelo Antonioni, Itália, 1961)
A faca na água (Roman Polanski, Polônia, 1962)
A infância de Ivan (Andrei Tarkovski, Russia, 1962)
O pagador de promessas (Anselmo Duarte, Brasil, 1962)
A solidão de uma corrida sem fim (Tony Richardson, Inglaterra, 1962)
Oito e meio (Federico Fellini, Itália, 1963)
O eclipse (Michelangelo Antonioni, Itália, 1962)
O silêncio (Ingmar Bergman, Suécia, 1963)
O criado (Joseph Losey, Inglaterra, 1963)
Diario de uma mucama (Luis Buñuel, França, 1964)
Dr. Strangelove (Stanley Kubrik, EU, 1964)
Repulsa ao sexo (Roman Polanski, Inglaterra, 1965)
Persona (Ingmar Bergman, Suécia, 1966)
Manhattan (Woody Allen, EU, 1979)
Touro indomável (Martin Scorsese, EU, 1980)
Estranhos no paraíso (Jim Jarmush, DEU, 1982)
Down by law (Jim Jarmush, EU, 1986)
Asas do desejo (Wim Wenders, Alemanha, 1987)
FILMES EM PRETO E BRANCO DOS ÚLTIMOS 30 ANOS (de 1992 a 2022)
A lista de Schindler (Steven Spielberg, EU, 1993)
Ed Wood (Tim Burton, EU, 1994)
O ódio (Mathieu Kassovitz, França, 1995)
Terra estrangeira (Walter Salles, Brasil, 1995)
Dead man (Jim Jarmush, EU, 1995)
Following (Christopher Nolan, Inglaterra, 1998)
25 watts (Juan Pablol Rebella e Pablo Stoll, Uruguai, 2001)
O homem que não estava lá (Joen e Ethan Coen, EU, 2001)
Boa noite e boa sorte (George Cloney, EU, 2005)
Sin city (Frank Miller, Robert Rodriguez, EU, 2005)
A fita branca (Michael Hanneke, Alemanha, 2009)
Tetro (Francis Ford Coppola, EU, 2009).
O artista (Michel Hazanavicius, França, 2011)
Heleno (José Henrique Fonseca, Brasil, 2012)
Oh boy (Um café em Berlim) (Jan Ole Gerster, Alemanha, 2012)
Nebraska (Alexander Payne, EU, 2013)
Ida (Pawel Pawlikowski, Polônia, 2014)
El abrazo de la serpiente (Ciro Guerra, Colômbia, 2015)
1945 (Ferenc Török, Hungría, 2017)
O capitão (Robert Schwentke, Alemanha, 2017)
Guerra fria (Pawel Pawlikowski, Polônia, 2018)
Roma (Alfonso Cuarón, México, 2018)
O farol (Robert Eggers, EU, 2019)
The forty-year old version (Radha Blank, EU, 2020)
A tragédia de Macbeth (Joel Coen, EU, 2021)
Belfast (Kenneth Branagh, Inglaterra, 2021)
Eu inclui filmes argentinos e brasileiros porque conheço mais; membros do grupo podem enviar alguns títulos de filmes de seus países, em preto e branco, que lhes pareçam notáveis de serem conhecidos por nós. Não descobri diretoras que tenham explorado cinema em preto e branco nesses períodos, se alguém conhecer, me corrija. Lamentei não poder mencionar filmes de minhas admiradas Agnes Varda, Sofia Coppola, Liliana Cavani e Lucrecia Martel, que preferiram fazer seus grandes filmes a cores. Duas diretoras que fizeram filmes notáveis em preto e branco são anteriores a 1960; menciono duas: “O triunfo da vontade” (Leni Riefensthal, Alemanha, 1935) e “O mundo odeia-me (O estopista)” (Ida Lupino, EU, 1953).
Com isto eu queria contribuir para quebrar o preconceito contra o cinema em preto e branco, um corolário, talvez, do preconceito contra o “cinema antigo”, na trilha da citação de Woody Allen da mensagem anterior. Este diretor fez vários filmes em preto e branco (“Zelig”, “Broadway Danny Rose”, “Neblinas e sombras”, “Celebridades”, eu citei apenas o que me parece o mais importante, “Manhattan”), e ele declarou que não lhe interessavam os espectadores que lhe perguntam se seu próximo filme vai ser preto e branco ou colorido.
Mas tampouco quero invadir o gosto de cada qual. Pode ser que, após esta argumentação, as pessoas continuem detestando filmes preto e branco, e estão em seu direito. Apenas queria, num mundo tão cheio de sofrimentos e dificuldades como o nosso (e cada vez pior), abrir para muitos um imenso espaço de prazer quando se apreende a entrar na densidade e a beleza do mundo do preto e branco.
Julio Cabrera
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VERSIÓN CASTELLANA
Tal como lo entiendo, el cine no se preocupa de reproducir lo real, sino de recrearlo o incluso de crearlo. Si la realidad está coloreada o no, es irrelevante para el cine. El color de una película es, hoy en día, una creación artística, una composición, y no pretende ser una copia de lo real (si es que alguna vez pretendió serlo).
Alguien ya me dijo que no les gustan las películas en blanco y negro porque no puede saber de qué color son los autos que pasan por la pantalla. Pero si no se informa el color de los autos, significa que, para el director, este dato es irrelevante para esta película específica, ya que el foco está en otras cosas.
En la historia del cine sucede con el color algo similar a lo que sucedió con el sonido; la composición cinematográfica se beneficia de los contrastes (posiblemente como todo en la vida). El color y el sonido juegan un papel artístico cuando pueden contrastarse con el blanco y negro y el silencio.
Si todo es silencio (como en el primer cine) o si todo es blanco y negro (como en la primera mitad de los años 30), este contraste no se produce. Pero cuando llega el color y el sonido también se pierde el contraste, porque ahora las películas se vuelven (sobre todo a partir de los años 50) llenas de color y habladas hasta la saciedad.
Mucha gente tiene la idea de que el color es una conquista reciente del cine, pero las técnicas de coloreado ya existían en los inicios del cine, entre 1906 y 1922. Sin embargo, como en la historia de la filosofía y la ciencia, las técnicas disponibles no siempre son de interés para los valores estéticos, comerciales y políticos imperantes en la sociedad de ese momento.
No es hasta los años 60 - una década maravillosa para el cine - que los directores tienen todos los elementos para trabajar los contrastes. Y de ahí salen las películas más interesantes, realizadas por directores que vuelven al blanco y negro para darle un tratamiento compositivo que no podían tener en el cine anterior. Por lo tanto, en la lista que presento ahora, solo incluyo películas desde el año 1960 en adelante.
PELÍCULAS NOTABLES EN BLANCO Y NEGRO (realizados entre 1960 y 1990)
(Puse algunos títulos castellanos que conozco; creo que todos son comprensibles; disculpen los posibles errores)
Psicosis (Alfred Hitchcock, EU, 1960)
La dolce vita (Federico Fellini, Itália, 1960)
Sin aliento (Jean-Luc Godard, França, 1960)
Rocco y sus hermanos (Luchino Visconti, Itália, 1960)
La aventura (Michelangelo Antonioni, Itália, 1960)
Hace un año en Marienbad (Alain Resnais, França, 1961)
La mano en la trampa (Leopoldo Torre Nilsson, Argentina, 1961)
Viridiana (Luis Buñuel, Espanha, 1961)
La noche (Michelangelo Antonioni, Itália, 1961)
El cuchillo bajo el agua (Roman Polanski, Polônia, 1962)
La infancia de Ivan (Andrei Tarkovski, Russia, 1962)
O pagador de promessas (Anselmo Duarte, Brasil, 1962)
La soledad del maratonista (Tony Richardson, Inglaterra, 1962)
Ocho y medio (Federico Fellini, Itália, 1963)
El eclipse (Michelangelo Antonioni, Itália, 1962)
El silencio (Ingmar Bergman, Suécia, 1963)
El criado (Joseph Losey, Inglaterra, 1963)
Diario de uma camarera (Luis Buñuel, França, 1964)
Doctor Insólito (Stanley Kubrik, EU, 1964)
Repulsión (Roman Polanski, Inglaterra, 1965)
Persona (Ingmar Bergman, Suécia, 1966)
Manhattan (Woody Allen, EU, 1979)
El toro salvaje (Martin Scorsese, EU, 1980)
Estraños en el paraíso (Jim Jarmush, DEU, 1982)
Down by law (Jim Jarmush, EU, 1986)
El cielo sobre Berlín (Wim Wenders, Alemanha, 1987)
PELÍCULAS EN BLANCO Y NEGRO DE LOS ÚLTIMOS 30 AÑOS (de 1992 a 2022)
La lista de Schindler (Steven Spielberg, EU, 1993)
Ed Wood (Tim Burton, EU, 1994)
El odio (Mathieu Kassovitz, França, 1995)
Terra estrangeira (Walter Salles, Brasil, 1995)
Dead man (Jim Jarmush, EU, 1995)
Following (Christopher Nolan, Inglaterra, 1998)
25 watts (Juan Pablol Rebella e Pablo Stoll, Uruguai, 2001)
El hombre que nunca estuvo (Joen e Ethan Coen, EU, 2001)
Buenas noches y buena suerte (George Cloney, EU, 2005)
Sin city (Frank Miller, Robert Rodriguez, EU, 2005)
La cinta blanca (Michael Hanneke, Alemanha, 2009)
Tetro (Francis Ford Coppola, EU, 2009).
El artista (Michel Hazanavicius, França, 2011)
Heleno (José Henrique Fonseca, Brasil, 2012)
Oh boy (Um café em Berlim) (Jan Ole Gerster, Alemanha, 2012)
Nebraska (Alexander Payne, EU, 2013)
Ida (Pawel Pawlikowski, Polônia, 2014)
El abrazo de la serpiente (Ciro Guerra, Colômbia, 2015)
1945 (Ferenc Török, Hungría, 2017)
El capitán (Robert Schwentke, Alemanha, 2017)
Guerra fria (Pawel Pawlikowski, Polônia, 2018)
Roma (Alfonso Cuarón, México, 2018)
El faro (Robert Eggers, EU, 2019)
The forty-year old version (Radha Blank, EU, 2020)
La tragedia de Macbeth (Joel Coen, EU, 2021)
Belfast (Kenneth Branagh, Inglaterra, 2021)
Incluí películas argentinas y brasileñas porque conozco más sobre ellas, pero los miembros del grupo pueden enviar algunos títulos de películas de sus países, en blanco y negro, que crean que son notables para que las conozcamos. No encontré directoras que exploraran el cine en blanco y negro en estos períodos, si alguien sabe, que me corrija. Lamenté no poder mencionar películas de mis admiradas Agnes Varda, Sofia Coppola, Liliana Cavani y Lucrecia Martel, quienes prefirieron hacer sus grandes películas en color. Dos directoras que realizaron notables películas en blanco y negro son anteriores a la década de 1960; menciono dos: “El triunfo de la voluntad” (Leni Riefensthal, Alemania, 1935) y “El autoestopista (The hitch hiker)” (Ida Lupino, UE, 1953).
Con esto quería contribuir a romper el prejuicio contra el cine en blanco y negro, corolario, quizás, del prejuicio contra el “cine antiguo”, en el sentido de la cita de Woody Allen del mensaje anterior. Este director hizo varias películas en blanco y negro (“Zelig”, “Broadway Danny Rose”, “Mists and Shadows”, “Celebrities”, yo cité sólo la que me parece más importante, “Manhattan”), y declaró que no le interesaban los espectadores que le preguntan si su próxima película va a ser en blanco y negro o en color.
Pero tampoco quiero invadir el gusto de nadie. Puede ser que, después de este argumento, las personas sigan odiando las películas en blanco y negro, y están en todo su derecho. Sólo quería, en un mundo tan lleno de sufrimiento y dificultades como el nuestro (y cada vez peor), abrir a muchos un inmenso espacio de placer cuando uno aprende a adentrarse en la densidad y la belleza del mundo en blanco y negro.
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Julio Cabrera









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